30 junho 2008

Mugabe toma posse pela sexta vez

Robert Mugabe tomou posse este domingo, pela sexta vez consecutiva, como Presidente do Zimbabué. As eleições ficam marcadas pela particularidade de Mugabe ter concorrido sozinho. O candidato da oposição, Morgan Tsvangirai, retirou a sua candidatura cinco dias antes do escrutínio e refugiou-se na embaixada da Holanda.

O candidato considerou que o clima de violência e intimidação, levado a cabo pelos apoiantes do Governo, podia pôr em risco os seus eleitores durante o acto. Apesar da desistência, o nome do líder oposicionista não foi retirado dos boletins de voto.

A missão de observadores da Comunidade para o Desenvolvimento do Sul da África, já assumiu em comunicado que a votação “não reflecte a vontade do povo”, devido aos distúrbios e perseguições que “mancharam a credibilidade do processo eleitoral”.

Também os observadores do Parlamento Pan-Africano levantaram sérias dúvidas em relação à validade da tomada de posse. De acordo com os resultados oficiais, Mugabe obteve 2 milhões de votos e Tsvangirai 230 mil, tendo sido anunciada uma participação de 42% dos eleitores.

No discurso de tomada de posse, Mugabe mostrou-se conciliador. “Tenho a esperança de que realizaremos consultas entre os partidos políticos”, de modo a conseguir “instaurar um diálogo sério que supere as nossas diferenças”, afirmou.

Tsvangirai respondeu pouco depois, dizendo que Mugabe “não tem opção a não ser negociar”, porque se encontra “em má situação”. Os Estados Unidos e alguns aliados já ameaçaram com a imposição de novas sanções ao regime do Zimbabué.

27 junho 2008

Ramos Horta recusa Alto Comissariado


José Ramos Horta, Presidente da República de Timor-Leste, anunciou esta sexta-feira que não se pretende candidatar ao cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Os Governos de Portugal, do Brasil e da Austrália já tinham manifestado o apoio à nomeação do Nobel da Paz timorense para o cargo.

“Deixar o Governo agora provocaria eleições antecipadas e isso seria injusto para com o povo, que foi às urnas três vezes em 2007”. O Presidente da jovem república admite que tal nomeação provocaria “novas tensões, com consequências previsíveis para o país”. Ramos Horta garantiu aos jornalistas que não abandonará Timor no “futuro próximo”.


Para os leitores que me têm dito que gostariam de ver um pouco mais de opinião nas peças, aqui vai um pequeno comentário: que falta nos fazia ter políticos destes…

25 junho 2008

23 junho 2008

Sarkozy no Knesset apela ao fim da colonização

O Presidente da República Francesa, Nicolas Sarkozy, afirmou esta segunda-feira no Parlamento israelita que reconhece a necessidade da criação de um Estado palestiniano. O Chefe de Estado declarou que “como todos os povos, o povo palestiniano tem o direito de viver em segurança, em fronteiras reconhecidas e garantidas” e que “a segurança de Israel não será assegurada enquanto ao seu lado não existir um Estado palestiniano independente, moderno, democrático e viável”.

Sarkozy apelou também, no Knesset, ao fim das políticas de colonização e ao reconhecimento de Jerusalém Oriental como Capital do futuro Estado. “Não pode existir paz sem paragem da colonização”, salientou. Este é um ponto sensível para os partidos ultra-ortodoxos, que rejeitam qualquer concessão aos palestinianos. O problema dos colonatos representa um dos maiores entraves ao progresso das negociações de paz, a par da questão do regresso dos refugiados.

Garantindo que “a paz é possível”, Sarkozy disse aos deputados israelitas que as duas partes podem “contar com a Europa para vos ajudar a chegar a um acordo final”. Salientou também que considera “inaceitável” que o Irão tenha armas nucleares e garantiu que a França fará o que estiver ao seu alcance para apoiar Israel contra os que apelam à destruição do seu Estado.

O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, já se congratulou com o discurso. “O Presidente Sarkozy reafirmou a posição da França apelando à paragem da colonização”, disse Nabil Abu Rudeina, porta-voz de Abbas, à AFP. “As posições expressas pelo Presidente Sarkozy traduzem o apoio francês à causa palestiniana”, garantiu Rudeina aos jornalistas.

22 junho 2008

Tsvangirai abandona corrida presidencial no Zimbabué

Em Harare, centenas de apoiantes do Presidente Robert Mugabe invadiram, este Domingo, o estádio onde se preparava a realização de um comício do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), partido do candidato oposicionista Morgan Tsvangirai. À pedrada e à paulada, os partidários de Mugabe obrigaram os militantes da oposição, jornalistas e observadores eleitorais, a abandonar o recinto.

Segundo uma fonte do MDC, citada pela Reuters, Morgan Tsvangirai, que ganhou a primeira volta das eleições, prepara-se para retirar a sua candidatura à presidência do Zimbabué. “Não se justifica a nossa vontade de ir a eleições por causa da violência e porque o ZANU-PF já decidiu o resultado final”, declarou o porta-voz da oposição. As declarações surgiram pouco tempo depois do incidente no estádio.

O porta-voz do MDC acusou ainda o regime de “provocar a oposição para que responda de forma violenta”. Mugabe já tinha declarado que, independentemente do resultado das eleições, “só Deus” o poderia retirar do poder. Desde a realização da primeira volta, a 29 de Março, o candidato da oposição já foi detido cinco vezes, enquanto realizava acções de campanha e mais de 70 membros do MDC foram assassinados.

20 junho 2008

Alterações climáticas já afectam economia russa

Ruslan Tzalikov, Vice-ministro russo para as Situações de Emergência, afirmou esta quinta-feira que o norte do seu país “poderá ser atingido por calamidades catastróficas em 2030, provocadas pelo aquecimento global”. O governante afirma que, ao actual ritmo de subida de temperatura global, “até 2015, a água nos rios aumentará 90%”.

Citado pelo Jornalista José Milhazes, o governante refere a existência de “milhares de lugares potencialmente perigosos” nas regiões polares russas. Segundo refere, a existência de depósitos de químicos e explosivos, além de cemitérios de resíduos nucleares, nestas áreas ambientalmente sensíveis, representa uma ameaça incontornável.

O descongelamento põe em risco a estabilidade de milhões de quilómetros quadrados de território. Isto pode comprometer as instalações onde estão armazenados estes produtos sensíveis, ou mesmo originar libertações, em larga escala, de gás natural para a atmosfera, contribuindo para um aquecimento global ainda mais acelerado.

O Vice-ministro preconiza que, nos próximos vinte anos, a fronteira com as terras geladas se deslocará cerca de oitenta quilómetros para norte. Mas os efeitos já se fazem sentir: Tzalikov afirmou que “anualmente, o prejuízo económico provocado pelas catástrofes constitui 3,5% do Produto Interno Bruto da Rússia”.

19 junho 2008

Romafest

A civilizacionice de hoje é musical. Os concursos “Romafest”são comuns na Hungria e na Transilvânia romena. Vale a pena perder uns minutos para ver este espectáculo...

15 junho 2008

Presidente do Kosovo valida Constituição

Entrou hoje em vigor a nova Constituição de Kosovo. O Presidente da auto-proclamada República, Fatmir Sejdiu, assinou hoje os 41 Diplomas, que tinham sido aprovados por unanimidade no Parlamento. Esta foi a primeira vez que um kosovar promulgou Leis, tendo esta função sido assumida, até agora, pelos responsáveis das Nações Unidas, que têm assegurado a administração do território.

O Presidente da Sérvia, Boris Tadic, declarou esta tarde que a nova constituição “é ilegal”, reiterando, uma vez mais, que “o Kosovo é uma província da Sérvia”, classificando o documento como “um acontecimento político com consequências nocivas e privado de qualquer valor legal”. Até agora, 43 países já reconheceram a independência. A Rússia mantém-se firme no apoio da posição sérvia.

Sobre o tema:

Algumas ideias-chave sobre a Jugoslávia

Uma perspectiva sobre a independência do Kosovo

Irlanda “encrava” Tratado de Lisboa

Muitos Governos da União Europeia apelaram, entre ontem e hoje, à continuidade do processo de ratificações, nos oito países que ainda não aprovaram o Tratado de Lisboa. A Irlanda é o único Estado-membro que tem a obrigação constitucional de referendar Tratados internacionais. A vitória do “Não”, com 53,4% dos votos, coloca o Governo irlandês numa posição difícil perante os seus parceiros.

“Quero que a Europa contribua com algumas soluções em vez de sugerir que isto é apenas um problema da Irlanda”, declarou o Primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, após a divulgação dos resultados. Apesar de ser claro que a entrada em vigor de novos Tratados só é válida com a ratificação de todos os membros, Cowen lembrou que, até haver “novos desenvolvimentos políticos, o Tratado não pode, evidentemente, entrar em vigor”.

Segundo o jornal Público, o Chefe de Governo irlandês terá confirmado que os seus parceiros propuseram concessões “sobre várias matérias”, mas destacou a inevitabilidade da aceitação do resultado e a necessidade de procurar outra forma de resolver o impasse. “Trata-se de encontrar soluções que neste momento não me parecem evidentes”, declarou.

13 junho 2008

Supremo Tribunal reconhece direitos aos detidos em Guantánamo

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu, esta quinta-feira, conceder aos detidos em Guantánamo o direito ao recurso nos tribunais nacionais. Esta deliberação representa uma das maiores derrotas jurídicas da Administração Bush, na “guerra contra o terrorismo” lançada após os ataques de 11 de Setembro de 2001. Os actuais candidatos à Presidência já assumiram publicamente que defendem o encerramento da prisão na base militar.

O Tribunal Militar de Excepção de Guantánamo foi constituído em 2006, através da promulgação da Lei das Comissões Militares, na qual os detidos são considerados “combatentes ilegais, não abrangidos pelas convenções internacionais”. O Diploma suscitou, na altura, questões de constitucionalidade. A decisão desta quinta-feira também esteve longe de ser consensual, tendo os Juízes decidido por uma maioria de cinco votos a favor e quatro contra.

10 junho 2008

O novo mapa-mundo do pós-guerra


Uma interessante projecção americana de 1942: a configuração política do mundo depois da Segunda Guerra Mundial. Eu perdi um bom bocado a ver os pormenores. Basta clicar no link ou no mapa para ver a imagem em tamanho grande, mas é preferível guardar no disco para ver com mais zoom… O site tem mapas muito curiosos, vale a pena dar uma vista de olhos.

http://strangemaps.files.wordpress.com/2008/06/1942world1600.jpg

08 junho 2008

Tiroteio na residência oficial do Primeiro-ministro kosovar

Um grupo de homens armados tentou, ontem à noite, entrar furtivamente na residência oficial do Primeiro-ministro kosovar. Os elementos de protecção pessoal de Hashim Thaçi interceptaram os assaltantes na varanda do segundo andar, no momento em que se preparavam para entrar no edifício. “Após soar o alarme, ocorreu um tiroteio em que os indivíduos fugiram”, declarou o porta-voz da polícia de Pristina, citado pela AFP.

O Kosovo proclamou a sua independência da Sérvia a 17 de Fevereiro de 2008. Até ao presente, mais de 40 países já reconheceram a secessão, apesar da oposição da Sérvia e a Rússia. A província sérvia estava sob a administração da ONU desde 1999, ano em que a NATO atacou a Jugoslávia de Milosevic e obrigou o Exército Federal a retirar-se do território.

Os sinais de instabilidade interna vêm fortalecer as opiniões de quem afirma que o Kosovo, com a actual estrutura social, não tem condições para assumir uma verdadeira independência. As razões mais apontadas pelos críticos, para sustentar a tese de inviabilidade da província enquanto país, são a proliferação da corrupção e o crescente controlo da sociedade por parte das máfias locais.

06 junho 2008

Obama pisca o olho à direita

Barack Obama, após ver confirmada, esta semana, a sua presença na corrida presidencial americana, introduziu alterações no seu discurso, numa atitude que parece evidenciar uma tentativa de aproximação ao eleitorado republicano. Depois de ter proferido um discurso em que garantiu estar disposto a “recorrer a todos os meios para impedir o Irão de ter uma arma nuclear”, o candidato democrata exaltou os ânimos dos palestinianos com as suas posições sobre o estatuto da cidade de Jerusalém.

Na quarta-feira, o Senador do Ilinois tinha dito que Jerusalém deveria ser a capital indivisível de Israel. As declarações suscitaram fortes críticas por parte dos líderes palestinianos, pelo que, na quinta-feira, o candidato introduziu algumas correcções no seu discurso. Numa atitude de apaziguamento, Obama declarou à CNN: “obviamente, ficará a cargo das partes negociar essas questões. E Jerusalém será parte das negociações”. O candidato considera, no entanto, que Israel tem legitimidade para reivindicar o estatuto de capital para a cidade.

A contradição das declarações do candidato democrata reside no não reconhecimento, pelos Estados Unidos da anexação de Jerusalém Oriental, após a guerra de 1967. A capital israelita, reconhecida internacionalmente, é Tel Aviv, onde se localizam as representações diplomáticas dos países estrangeiros. Os palestinianos, por seu turno, pretendem estabelecer a capital do seu futuro Estado em Jerusalém Oriental.

04 junho 2008

Duas Chinas

Ma Ying-jeou, presidente de Taiwan, elogiou esta quarta-feira o Governo da China continental, em relação à forma como lidou com os efeitos do terramoto na região de Sichuan. O líder taiwanês salientou que, contrariamente ao que aconteceu em 1976, quando uma catástrofe idêntica se abateu sobre o país, as autoridades chinesas não optaram, desta vez, pelo blackout informativo, tendo divulgado significativas informações sobre o sucedido nos media nacionais e internacionais.

A atitude do Presidente da República da China (Taiwan) marca a diferença, em relação às posições dos seus antecessores. Os líderes políticos da ilha raramente teceram elogios à política da República Popular da China (continental), que sempre acusaram de desrespeito pelos direitos humanos e minorias étnicas e restrição da liberdade de expressão. As declarações de Ma Ying-jeou surgem no dia em que se completam 19 anos sobre o massacre da Praça Tiananmen e dias depois de ter sido assumido um compromisso de aproximação entre as duas partes.

A ilha de Taiwan foi anexada pelo Império japonês em 1895, depois da derrota do Império Chinês na guerra sino-japonesa. A segunda guerra mundial interrompeu uma guerra civil chinesa, na qual nacionalistas e comunistas se digladiavam pelo poder. Os inimigos uniram esforços para combater o invasor nipónico, tendo cessado as hostilidades entre si e colaborado com os aliados ocidentais. Com o fim da guerra e a rendição incondicional do Japão, estava aberto o caminho ao ressurgimento do conflito interno.

Os nacionalistas, liderados pelo General Chiang Kai-shek, foram derrotados em 1949 pelos comunistas de Mao Tsé-Tung, tendo procurado refúgio na ilha de Taiwan, sob protecção dos Estados Unidos. Desde essa época que a questão de Taiwan é uma “pedra no sapato” das relações sino-americanas. Em 1971, os EUA reconheceram o Governo da República Popular da China como legítimo ocupante do lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, tendo o Governo americano assumido, no entanto, o compromisso de proteger futuramente Taiwan de uma possível invasão, visto que a República Popular continua a defender a doutrina de uma só China.

01 junho 2008

Só no Afeganistão...

Eis o verdadeiro descapotável afegão:

Tambem são civilizacionices...

Porque não pode ser sempre guerra, aqui ficam umas fotos interessantes de situações que também são civilizacionices…

Só na China…


Só no Havai…

Só na Índia…


Só na Tailândia…


Só mesmo na América…

30 maio 2008

Ban Ki-moon anuncia progressos no Iraque

Ban Ki-moon, na sua intervenção desta quinta-feira na Conferência Internacional sobre o Iraque, em Estocolmo, na Suécia, declarou que a situação no Iraque está a melhorar. Nas palavras do Secretário-geral da ONU, foram ultrapassados os “níveis de violência alarmantes de 2006 e dos princípios de 2007”, o que abre caminho a “uma nação livre, segura, estável e próspera”.

Ban Ki-moon deu os parabéns ao Primeiro-ministro, em particular e ao povo iraquiano, em geral. O Chefe de Governo iraquiano, Nuri al-Maliki, agradeceu o optimismo e a confiança do alto responsável sul-coreano. Na sua intervenção, pediu à sociedade internacional que sejam anuladas as dívidas do país e o levantamento das sanções que ainda vigoram.

Para Nuri al-Maliki, a manutenção das sanções constitui “um obstáculo à reconstrução e ao desenvolvimento”. Apesar de reconhecer que o Iraque “não é um país pobre”, apelou aos delegados presentes na Conferência para que não obriguem o seu Governo a pagar indemnizações pela invasão do Koweit, em 1990, pelas tropas do regime de Saddam Hussein.

28 maio 2008

28 de Maio de 2008: implantação da República do Nepal

A assembleia constituinte do Nepal aboliu, esta quarta-feira, aquela que era a última teocracia hinduísta do mundo. Por decreto, foram também revogados todos os privilégios da família real. A decisão não foi uma surpresa, pois o partido maoista, que venceu as eleições de 10 de Abril, fez da supressão da monarquia o elemento-chave da sua campanha.

“A proposta de instaurar uma democracia foi adoptada pela maioria”, disse Kul Gurung, porta-voz do parlamento. Ao rei deposto, o contestado Gyanendra, foi dado o prazo de duas semanas para abandonar o palácio real. Uma fonte oficial, citada pelo jornal Público, garantiu aos jornalistas que o edifício será transformado num museu e aberto a visitas

O ex-rei do Nepal tinha anunciado, a 22 de Abril, o regresso do país à democracia, quando concluiu que o seu isolamento político era irreversível. Gyanendra subiu ao poder em 2001, depois do príncipe herdeiro ter assassinado os seus pais e sete outros membros da família real e cometido suicídio, acontecimento que foi determinante para minar a confiança no regime.

25 maio 2008

Morte de “Tiro Fijo”: desmobilização das FARC?

O Presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, anunciou este sábado ter informações que apontam para a iminente desmobilização de alguns líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A declaração surge após a divulgação da notícia da morte do mais importante líder da organização guerrilheira, Manuel Marulanda “Tiro Fijo”.

Manuel Marulanda, também conhecido por Pedro António Marín, ou simplesmente “Tiro Fijo” (tiro certeiro), era, com os seus 78 anos, o mais antigo e importante chefe das FARC. De acordo com as informações citadas pela Lusa, o líder guerrilheiro terá morrido devido a uma paragem cardíaca. As FARC já nomearam Alfonso Cano para suceder ao líder histórico..

Uribe, em directo no canal estatal de televisão, garantiu que “alguns dirigentes das FARC anunciaram a sua decisão de desmobilizar e de libertar Ingrid Betancourt, se lhes for garantida a liberdade”. Segundo afirmou, o acordo com os guerrilheiros passa pela sua entrega às autoridades francesas “para que possam desfrutar da liberdade nesse país”.

23 maio 2008

Monges violentos - Rectificação

Publiquei, no dia 12 de Maio, a peça “Monges violentos.” Quando a publiquei, afirmei que não podia confirmar a fonte. No entanto, um comentário anónimo chamou-me a atenção para o facto de esta informação não ser verdadeira. Segundo este leitor, esta imagem foi captada em 2003, durante a realização de um filme. É o problema da Internet, nunca sabemos qual é a informação mais credível...


Partido de Saakashvili vence eleições georgianas

Na Geórgia, o Movimento Nacional Unido, partido do Presidente Mikhail Saakashvili, ganhou as eleições legislativas desta quarta-feira, tendo obtido 63% dos votos, de acordo com os resultados provisórios adiantados ontem pela Comissão Eleitoral. O Conselho da Oposição Unida, que junta nove partidos, só conseguiu alcançar os 13%.

Apenas dois outros partidos conseguiram alcançar a representação parlamentar, designadamente o Democrata-cristão, com 8% e o Trabalhista, que obteve 6%. O sistema eleitoral georgiano exige aos partidos um mínimo de 5% de representação para entrar no Parlamento, no qual se distribuem 150 lugares.

O presidente Saakashvili tinha proclamado a vitória logo na quarta-feira à noite, antes da publicação dos resultados oficiais. A oposição contestou a declaração e reclamou que os resultados tinham sido manipulados. Na manhã de quinta-feira, cerca de mil manifestantes concentraram-se em Tbilisi, para mostrar o seu descontentamento.

Os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) verificaram a existência de “vários problemas” no acto eleitoral. Em comunicado emitido esta quinta-feira, a organização elogiou os esforços do sistema político georgiano para “organizar legislativas conforme as normas internacionais”.

Segundo a AFP, citando o relatório da OSCE, “os partidos puderam fazer campanha activamente, mas houve muitas alegações de intimidações, algumas das quais foram verificadas”. Há também registo de “pressões sobre os observadores” e “falhas importantes durante a contagem dos votos”.

22 maio 2008

Queimados vivos por bruxaria

No Quénia, na aldeia de Nyakeo, a cerca de 300 quilómetros de Nairobi, dezanove pessoas foram detidas esta quinta-feira, acusadas de terem queimado vivos, nas suas casas, onze camponeses acusados de bruxaria. A região é conhecida como “zona de bruxos”.

Cerca de uma centena de pessoas, na noite de terça-feira, tinha percorrido as ruas da aldeia de Nyakeo. Na romagem, promovida, segundo a AFP, por uma máfia local, os populares invadiram e deitaram fogo às casas dos acusados, tendo as vítimas sido previamente amarradas no interior.

De acordo com a polícia local, foram assassinadas oito mulheres e três homens, todos com mais de 70 anos. “Até agora, confirmámos onze mortos e procuramos ainda as casas incendiadas para a eventualidade de se encontrarem outros corpos”. As autoridades afirmam que vão punir os responsáveis.

Eventos como este não são novidade no Quénia. Durante a última década do século vinte deu-se uma vaga de incidentes do género. Dezenas de pessoas foram mortas, acusadas de lançar feitiços que, alegadamente, tornavam as pessoas canibais, surdas, mudas ou sonâmbulas.

20 maio 2008

Rendição de Karina: rude golpe para as FARC

O Presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, viu concretizada uma detenção que tinha sido declarada prioritária há cinco anos. Nelly Ávila Moreno, conhecida por “Karina”, ou “Janet Mosquera Rentería”, histórica líder guerrilheira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), entregou-se este Domingo às autoridades.

O Governo já declarou que a rendição de Karina é um “rude golpe” para a guerrilha das FARC. Segundo um porta-voz governamental, “a guerrilheira estava cercada e não tinha alternativa à rendição”. A detida afirma, citada pelo estadão.com, não ser responsável pela maioria dos crimes de que é acusada e que “desmobilizou para fazer algo pela paz”.

O Governo colombiano já tinha oferecido 1 milhão de Dólares pela captura de Karina. Sobre ela pendem várias acusações de terrorismo e homicídio, designadamente o do empresário Alberto Uribe Sierra, pai do actual presidente, durante uma tentativa de rapto, em 1983 numa das propriedades da família, no Departamento de Antioquia.

“O que fez Karina é o caminho que todos devem tomar”, declarou o general Mario Montoya, do Exército colombiano. O Chefe militar disse que, só este ano foram já 87 os combatentes que depuseram as armas e aderiram ao programa de reinserção. Segundo esta fonte, estão já integrados neste programa 1181 antigos rebeldes das FARC.

19 maio 2008

“Slogans vazios para enganar os fracos”

Osama Bin Laden declarou, uma vez mais, guerra a Israel e aos seus aliados. Numa gravação áudio, publicada num site islâmico no último fim-de-semana, apelou aos palestinianos para que se revoltem contra o bloqueio israelita na Faixa de Gaza e aos muçulmanos de outros países incitou a combaterem os seus Governos, que acusa de terem “vendido a Palestina aos judeus”.

“Continuaremos, Deus o permita, a lutar contra Israel e os seus aliados, e não cederemos um milímetro de terra palestiniana enquanto existir um único muçulmano verdadeiro na Terra”, afirmou Bin Laden. A presença de dirigentes ocidentais em Israel, por ocasião das celebrações do 60º aniversário do Estado judeu, prova, no entender do líder da Al-Qaida, que “os valores de justiça, liberdade e humanismo não passam de slogans vazios para enganar os fracos”.

18 maio 2008

Bush diz que "Masada não voltará a cair"

O Presidente dos Estados Unidos da América, enquanto discursava, este sábado, no Knesset, fez duras críticas "aos que acreditam que devemos negociar com terroristas e radicais”, em busca de um “falso conforto”. Bush acredita que a via da negociação, com “Estados que apoiam o terrorismo” foi “desacreditada pela história”.

As declarações de Bush foram entendidas como uma resposta ao pré-candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, que tinha afirmado a necessidade de encetar um diálogo construtivo com o Irão e com a Síria, países que a Administração Bush categorizou como fazendo parte de um “eixo do mal”.

Bush disse ainda que “ninguém que reza ou diz rezar ao Deus de Abraão seria capaz de vestir uma criança como um bombista suicida, ou pilotar aviões contra prédios comerciais cheios de trabalhadores inocentes”. Pouco depois do discurso, o porta-voz da Casa Branca apressou-se a dizer aos jornalistas que Bush não se referia a Obama.

Antes da sessão no Parlamento israelita, Bush visitou as ruínas da fortaleza de Masada, local histórico e símbolo nacional, que foi palco de um cerco pelos romanos, durante três anos, tendo sido tomada no ano 70 d.C. Quando os legionários conseguiram penetrar na cidadela, os sitiados judeus tinham já cometido suicídio colectivo, para evitar a captura pelo invasor.

Este sítio histórico é visita escolar obrigatória para todas as crianças israelitas, sendo a história do cerco uma referência constante nos manuais escolares, que exaltam o milenar heroísmo nacional do povo judeu. Bush, no seu discurso no Knesset, garantiu aos israelitas que “Masada nunca mais cairá” porque “a América estará ao seu lado”.

Os palestinianos, para quem a data tem outro significado, marcaram o aniversário de Israel com sirenes e balões negros. Os manifestantes lembraram as centenas de milhares de refugiados, que fugiram ou foram expulsos durante a guerra da independência e nunca puderam regressar. O evento é chamado a “Nakba”, ou o Dia da Catástrofe.

Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, respondeu pouco depois ao discurso do Presidente americano. Segundo afirmou, “o racismo que impede o direito do retorno aos milhões de refugiados palestinianos”, estabelece uma inevitabilidade para o Estado hebreu: “Israel não sobreviverá outros 60 anos. O fim de Israel está próximo.”

16 maio 2008

FARC ensombram início da cimeira ALC/UE

A crise diplomática que tem marcado as relações bilaterais da Colômbia com o Equador e com a Venezuela, ameaçou esta sexta-feira dominar a agenda da V Cimeira América Latina e Caraíbas/União Europeia (ALC/UE). A crise agudizou-se na quinta-feira, no seguimento da divulgação de um relatório da Interpol.

A Polícia Internacional assegurou, neste relatório, a autenticidade dos ficheiros encontrados no computador do líder guerrilheiro Raul Reyes, abatido pelo exército colombiano em território do Equador, que apontam para o financiamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) pelo Governo venezuelano.

Hugo Chávez afirma que todo este caso não passa de “uma palhaçada orquestrada pelo Governo colombiano”, que acusa de dificultar as negociações venezuelanas com vista à libertação dos reféns: “Uribe não quer que essas pessoas saiam de lá e acredito que não quer porque Bush não quer”, tinha declarado o presidente venezuelano na quinta-feira.

À margem desta crise diplomática, sobressaíram, nos encontros multilaterais, outras divergências entre os líderes da América Latina e da Europa, sobretudo no campo das relações económicas. Alguns países sul-americanos recusam-se a abrir os seus mercados e a UE é intransigente na manutenção da política de subsídios aos agricultores.

“O nosso apelo, na qualidade de anfitriões momentâneos, é que a nossa discussão de hoje se concentre nos pontos que nos unem em vez de nos determos naquilo que nos desune e, por enquanto, nos divide”, afirmou, num tom conciliador, Alan Garcia, Presidente do Peru, na sua intervenção de abertura dos trabalhos.

A Casa Branca, por sua vez, também deitou mais uma acha na fogueira. Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado, na sequência da divulgação da informação da Interpol, fez uma intervenção pública, na qual afirmou que “as informações que mostram relações de Caracas com as FARC são preocupantes”.

Ver também:

Crise diplomática na América do Sul


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V Cimeira ALC/UE rodeada por fortes medidas de segurança

Em Lima, no Peru, um grande dispositivo de segurança vigia o início, esta sexta-feira, da V Cimeira América Latina e Caraíbas/União Europeia (ALC/UE). A operação, que envolve mais de 50 mil elementos, aviões de combate e um vaso de guerra, visa proteger a meia centena de Chefes de Estado e de Governo que participam no encontro.

A agenda desta cimeira bienal inclui questões relacionadas com a luta contra a pobreza e a luta contra as alterações climáticas. Além destas duas questões centrais, temas como a liberalização dos mercados, a emigração, o narcotráfico e crise alimentar mundial também serão abordados na cimeira, a pedido, entre outros, do Parlamento Europeu.

Citado pela Lusa, o presidente da comissão de alto nível da Cimeira, Ricardo Llona, garantiu que a organização “não se poupou a esforços para assegurar a tranquilidade e a integridade dos convidados”, justificando o aparato bélico com o pressuposto de que “a segurança nunca é total, não se pode baixar a guarda”.

O Peru vive uma época de reconciliação nacional, depois do conflito que marcou as décadas de 80 e 90. Durante este período, as tropas governamentais combateram as actividades guerrilheiras do Sendero Luminoso e do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, numa onda de violência que provocou mais de 60 mil mortos e desaparecidos.